 Cesar Marçal - Artista Plástico
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Vinte e oito anos de carreira, muitas viagens, exposições em países com culturas diferenciadas da nossa, me proporcionaram uma enorme diversidade de elementos que ajudam um artista a compor suas obras, e são através destas que verificamos a nossa maturidade. A evolução na vida de um profissional é muito importante, pois através dela que identificamos nossos discursos e que linha pretendemos seguir.
Tive a oportunidade de expor na cidade de Lausanne, Suíça, no Museu de Arte Contemporânea, e lá, vivenciei um dos melhores momentos de minha carreira, onde meu trabalho foi muito bem visto por personalidades do circuito internacional de artes, o que me deu mais tarde oportunidade de divulgar meu trabalho lá fora. Trabalho este, que fundamentado junto à tecelagem me deu embasamento suficiente para verificar que o fio é um elemento essencial se tratando de arte têxtil. Não vejo a natureza sem a arte e vice-versa, e para praticá-la nós dependemos dos aspectos que nos são oferecidos. O têxtil interage constantemente com arte.
Em 2005, na Alemanha participei da coletiva “Discovery Brazil”, em Koblenz com outros 20 artistas brasileiros. Mostra essa, que apresentou a notoriedade e seriedade da arte brasileira no exterior. O têxtil mais uma vez marcou presença, e essa experiência resultou, posteriormente, em algumas vendas para colecionadores europeus e brasileiros, como Gilberto Chateaubriand.
De volta ao Brasil, fomentei a proposta de montar um atelier em Macaé de Cima, idéia que visa agregar nesta área o “Projeto Simplório”, é já é um sucesso em Rio Bonito de Cima, podendo ser compreendido da seguinte maneira: um museu a céu aberto, onde será possível receber artistas e pessoas interessadas em vivenciar a arte em todo o seu sentido. Está em pauta também até o fim deste ano, retornar a Alemanha para um trabalho de intercâmbio entre ateliês de todo o mundo.
O artista em nosso país deve e tem que ter a necessidade permanente de se reciclar, atualizar e investir em novas idéias e propostas, pois sem novas informações seu trabalho extingui-se. Infelizmente no Brasil ainda não há oportunidades, respeito e valor pelas artes em suas diversas áreas. Acabamos tendo que buscar novos horizontes na perspectiva de vermos nosso trabalho reconhecido. Acredito que com propostas sérias, teremos um Brasil intelectualmente mais ativo.
“Não vejo a natureza sem a arte e vice-versa, e para praticá-la nós dependemos dos aspectos que nos são oferecidos”.