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Empresários devem mudar para atender às necessidades do mercado moderno
Dr. Julio Cesar - Psicólogo Clínico

A convivência entre empresários e empregados é mais suscetível a situações delicadas do que se imagina. A empresa moderna tem o trabalhador como capital humano do seu patrimônio, e essa é uma nova visão. Os departamentos de Recursos Humanos (RH), agora são administrados por Gestores de Pessoas, que tem como principal finalidade manter esta relação, patrão e empregado, em um nível mais compassivo. Há, obviamente, um interesse no lucro, mas desde que haja uma relação de trabalho melhor e mais promissora entre os dois lados.

As empresas possuem dois tipos de clientes: o interno, que é o trabalhador e deve ser atendido em suas necessidades bio-psicosociais. O bom relacionamento com seu patrão o fará sentir-se valorizado e produtivo, e isso automaticamente, refletirá em toda linha de produção, desde o encarregado de serviços gerais até o mais alto escalão. Deverá também ser acolhido e ter possibilidade de ascensão dentro da empresa, que periodicamente deve promover treinamentos e disponibilizar cursos de aperfeiçoamento a seus funcionários. Já o cliente externo, é o comprador que deverá igualmente receber um tratamento especializado e diferenciado, sendo então o produto resultado desta interação, entre cliente interno (empregado), e o cliente externo (comprador), que se satisfeitos, ambos, revertem à empresa o lucro, a fidelidade, agindo como divulgadores de seus produtos.
Ainda hoje, existe uma tensão neste tipo de relação, e isso ocorre pelo fato de que muitos empresários ainda não se adaptaram a nova realidade de convivência e relacionamento. Aquela mentalidade antiga de que o empregado é meramente uma pessoa que lhe dá um lucro imediato, não atende mais as necessidades de um mercado moderno. Na era da informática e de altas tecnologias essas relações, sem dúvida nenhuma mudaram, e quem não se adaptar a este novo tempo não estará atendendo às necessidades que o mercado exige.

Os desgastes mais reincidentes ocorrem com maior freqüência em empresas pequenas ou de médio porte, o­nde o patrão é dono de tudo, e se considera, inclusive, proprietário do empregado. Isso acontece porque ainda detem-se a imagem de que o empregado é somente um fiel servidor. O patrão moderno deve ter diálogo com seu funcionário, ouvi-lo. Dividir com ele os momentos de dificuldades maiores da administração da empresa.

O fator salarial também é um componente que acirra esta situação de desgaste. Quem ganha muito pouco e não consegue atender às suas necessidades básicas, não tem condições psicológicas de produzir bem. Então, conseqüentemente trabalha contrariado e sem motivação, fazendo com que surjam diversos problemas de ordem psicológica, como depressão e insatisfação com o ambiente de trabalho. Situação essa, que fará com que o patrão venha a arcar com mais despesas com este empregado, gerando assim mais ônus para a empresa.

Uma orientação psicológica seja ela, através de uma consultoria, ou um tratamento mais intensivo, pode trazer uma modernidade de pensamento entre patrão e empregado. O ideal é que esse processo se dê em um momento inicial, quando haja o interesse da empresa em contratar pessoal.

O empresariado brasileiro já está mais aberto a este tipo de gestão, mas no interior, existem ainda alguns empresários que não se adaptaram e este movimento, muitas vezes, até por falta de informação. Em outras situações, o pequeno e médio empresário não está preparado para entender esta nova relação, e continua mantendo uma união somente autoritária, de visão no lucro imediato. A empresa perde a possibilidade de tornar-se verdadeiramente grande por causa desta falha.

 

Muitos empresários intolerantes, também se sentem incomodados com a modernidade, pois acham que vão gastar sem ter o retorno esperado em curto prazo, e ocorre justamente o contrário. Reciclar e preparar o empregado para crescer com a empresa, automaticamente alavancará o crescimento como um todo. O investimento no funcionário a curto e médio prazo trará resultados muito positivos para o proprietário de uma empresa. Hoje, para se adaptar a macro economia o empresário também deve pensar de forma visionária caminhando junto com a globalização.